Surdo pode ser tradutor intérprete de Libras?

            Surdo pode ser tradutor intérprete de Libras? No contexto da Língua de Sinais, inicialmente, a função de tradutor intérprete era exercida somente por profissionais ouvintes. Hoje, compreende-se que tal função também pode e deve ser exercida por profissionais surdos, em razão de serem usuários nativos da Libras. No entanto, diante da oralidade da Língua Portuguesa, entende-se que aos surdos cabem atividades tanto de tradução quanto de interpretação da Libras e da Língua Portuguesa, excluídas aquelas que exigem a oralidade.

Em outras palavras, todas as ações que configuram tradução por envolverem registros das Línguas, seja através da escrita na Língua Portuguesa ou de filmagens na Língua de Sinais, poderão ser executadas pelo tradutor intérprete surdo, assim como ações de interpretação que não envolvem a oralidade, como por exemplo, passar para a Libras um texto projetado, dentre outras.

Cabe destacar, inclusive, a importância da presença do profissional surdo como tradutor intérprete de Libras no contexto educacional, cujas atribuições se diferem das atribuições dos profissionais ouvintes somente naquelas de comunicação que envolve a modalidade oral, como já dissemos.

        Onde o Surdo pode ser tradutor intérprete vai atuar?

A presença do tradutor intérprete surdo nesses espaços ainda é rara, justamente pelo fato de que, na escola, as atividades que envolvem maior tempo dos profissionais requerem um profissional ouvinte para que possa interpretar as falas da língua portuguesa (oral) para a Libras.

            Já nas escolas bilíngues, há maiores possibilidades de atuação do profissional tradutor intérprete surdo. Nelas, o principal diferencial está na criação de um ambiente bilíngue, no qual as duas línguas (língua portuguesa e libras) são utilizadas em seus espaços. Também nos cursos de graduação e pós-graduação, quando há a produção de recursos e materiais didáticos bilíngues, há espaços de trabalho para o tradutor intérprete surdo.

            Além disso, o Decreto nº 5.626/2005 estabelece que o “surdo com competência para realizar a interpretação de línguas de sinais de outros países para a Libras” também pode atuar como tradutor intérprete em cursos e eventos que envolvam a Libras e outras Línguas de Sinais (BRASIL, 2005).

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Veja também: Aprendizagem de Libras por um ouvinte.

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