Pensando em desistir? Conheça a estudante de 86 anos, com 2 graduações que já está na pós!

Precisando de inspiração? Então conheça Amélia, a estudante de 86 anos, do Distrito Federal, que já está na pós-graduação.

Às vezes você desanima e pensa em desistir dos estudos? Verdade seja dita, estudar no Brasil é um grande desafio, visto que muitas pessoas não têm estrutura em casa e passam por algum tipo de dificuldade financeira, precisando conciliar a vida familiar, com o trabalho e os estudos. Enfim, a carga torna-se muito pesada e por isso temos índices de evasão escolar tão altos em nosso país.

Por isso, a história da aposentada Amélia Diniz, de 86 anos pode ser uma grande inspiração! Prestes a se formar em teologia, sua segunda graduação após um período de 60 anos sem estudar, ela exibe seus livros e cadernos com orgulho.

Amélia Diniz, aos 86 anos, concluiu a segunda graduação — Foto: Marília Marques/G1

Antes mesmo de concluir a graduação Amélia já sabe o que quer fazer: se matriculou em uma pós-graduação noturna e agora pretende voltar às salas de aula pelo menos duas vezes na semana! Além de estudante, ela é mãe, avó e bisavó, mas nada disso a impede de estudar.

“Me sinto muito honrada em ter concluído. Quero aproveitar a vida da melhor maneira que eu puder.”

Aprovada com a nota 9,5 no Trabalho de Conclusão do Curso, o tema escolhido para o artigo foi a relação entre o Papa Francisco e a Igreja Católica.

No começo do TCC Amélia tentou fazer tudo à mão, mas depois acabou se rendendo a tecnologia e mesmo com algumas dificuldades ela superou suas limitações.

“Comecei escrevendo tudo à mão, mas errava muito e rasgava a folha. No computador, tinha a vantagem de ir escrevendo e consertando, mas sou péssima em digitação.”

Amélia mostra caderno usado durante curso de teologia — Foto: Marília Marques/G1

Retomando os estudos 64 anos depois…

A decisão de prestar vestibular, depois de 64 anos sem estudar, veio após a morte do marido. Amélia já era formada em filosofia, curso que fez no Rio de Janeiro em 1950. Naquela época, a primeira opção era estudar matemática, mas por decisão do pai, teve que abrir mão da área de exatas.

Antes de escolher voltar a estudar, Amélia diz que a rotina em casa era dividida entre desafios de lógica – sudoku – e jogo de buraco no tablet. “Não rendia nada.” A inscrição no vestibular – há quatro anos – foi feita sem o conhecimento de nenhum dos sete filhos. “Só contei para minha irmã.”

“Quando meus filhos chegavam para me visitar, eu jogava os livros embaixo da mesa.”

Amélia diz que estudou “o suficiente” para conquistar a aprovação. “Tinha medo de não ser aprovada, mas no dia do vestibular, minhas filhas chegaram em casa e tive que pedir que me levassem para fazer a prova”, conta.

O vestibular

Sorrindo, a teóloga recém-formada conta que fez a prova do vestibular confiante. “Esperava que poderia passar”. A estudante de 86 anos também contou com uma forcinha dos céus. A aposentada confessa que ao saber da aprovação, fez uma novena à Nossa Senhora e, na promessa, pediu saúde e disposição para concluir os quatro anos de estudo.

“Talvez Ela [Nossa Senhora] tenha vacilado um pouco com a minha saúde”, brinca ao dizer que convive com tonturas frequentes. “Mas os professores foram 100% comigo. Meus colegas eram atenciosíssimos e sempre chegavam com um cafezinho e copo d’água”, diz.

“Passei muito tempo dedicada à faculdade, não fazia outra coisa de tarde. Só interrompia quando meus filhos chegavam, porque nunca deixei que o estudo prejudicasse meu relacionamento com eles”, conta orgulhosa.

Inspiração

Foto: Marília Marques/G1

Na família, Amélia é vista com uma inspiração. Renata Diniz, uma das 14 netas da aposentada, diz que a avó é “muito aplicada” e foi uma excelente aluna na graduação. “Sei que ela era muito elogiada.”

Apesar da extrema de dedicação da avó, Amélia nunca deixou de receber a família no tradicional almoço de domingo.Segundo a neta: “em época de prova ela vivia cansada, do tanto que estudava, mas sempre encontrava tempo”.

Já formada, Amélia agora diz que aconselha às amigas a dar continuidade aos estudos.

“É importante ocupar a cabeça. Fez muito bem para mim”.

Mesmo sem precisar fazer uma graduação ou uma pós, a estudante de 86 se dedicou e não pensou em desistir por conta de sua idade. Por outro lado, muitas pessoas ainda jovens, com 25, 34, 40 anos acham que já passaram da idade de estudar, porém isso nunca será verdade. Se você tem um sonho, não importa sua idade ou limitações, não desista por pressões sociais ou possíveis desafios que virão, pois com certeza sua realização pessoal e profissional irá compensar todo seu esforço!

Fonte: G1

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