Conheça o primeiro juiz cego do Brasil, defensor da educação inclusiva

Nicole Utzig Mattjie

Ricardo Tadeu da Fonseca, primeiro juiz cego do Brasil percorreu uma jornada árdua para realizar seu sonho.

Ricardo Tadeu da Fonseca tem uma história impressionante. Tornar-se juiz não é uma tarefa fácil para ninguém, são anos de estudo, dedicação e abdicação. Todavia, imagine o quão mais difícil isso se torna para uma pessoa cega. Ricardo precisou enfrentar muito preconceito para chegar onde está hoje, onde segue lutando por uma educação mais inclusiva.

Primeiro juiz cego do Brasil, Ricardo conta que precisou da ajuda dos colegas para se formar na faculdade de Direito. Contudo, infelizmente, ao longo da carreira o juiz enfrentou muito preconceito, chegando até a ser desclassificado de um concurso público.

Trajetória

Em 1990 Ricardo foi aprovado no concurso para juiz no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, mas foi considerado inapto para a função por ser uma pessoa cega. A avaliação médica o impediu de seguir adiante. 

“Doeu muito. Não esperava que o Judiciário fosse tão refratário”.

Segundo ele, não passava das etapas de entrevista quando estava procurando por emprego, mas apesar disso não desistiu do seu maior sonho: o de se tornar juiz. 

Atualmente Ricardo é desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Estado do Paraná (TRT).

Ele lembra que teve sorte de contar com o apoio de uma família muito bem estruturada, fundamental em sua formação. Ricardo foi alfabetizado pela mãe na década de 60 e teve também o apoio dos professores, que ampliavam as letras para que ele conseguir ler. Porém, aos 23 anos, Ricardo perdeu completamente sua visão. Desse momento em diante os colegas da faculdade ajudaram muito, gravando as aulas em fitas para que ele pudesse realizar as provas oralmente. Dessa forma, com muito esforço e a ajuda de pessoas queridas ele se formou e deu seguimento a sua carreira.

Primeiro membro cego do Ministério Público e da Magistratura no Brasil, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca orgulha-se em dizer que já não é mais o único, nem no Ministério Público e nem na Magistratura.

“Me deram a oportunidade de, sim, acreditar que é possível superar o que parecia impossível. Era impossível, quando eu fiz faculdade, um menino cego ser juiz. Era impossível um menino cego ser do Ministério Público. Não é mais”, garante.

Por uma educação mais inclusiva

Ricardo julga cerca de 400 processos por mês. Contudo, ele conta com a ajuda de pessoas que leem oralmente os processos para que ele dite as decisões. Isso porque, segundo ele o braile é muito pouco útil para quem trabalha com Direito.

“A literatura em braile é muito limitada e é pouco operoso para quem lida com processos. Ajuda mais para a alfabetização de jovens cegos. Cada pessoa com deficiência desenvolve o seu método”, afirma.

Para Ricardo, uma das partes mais importantes de seu trabalho é a abertura de caminho para outras pessoas com deficiência. “Hoje, já ocupando uma posição de destaque na sociedade, tenho possibilitado a abertura de caminho para outras pessoas”.

“O mundo está percebendo que a liderança das pessoas com deficiência tem uma capacidade de transformação muito grande em prol de outras pessoas com deficiência.”

No início da sua carreira o advogado lidou com questões complexas de forma solitária, mas hoje tem a possibilidade de abrir caminhos rumo a uma educação mais inclusiva.

Fontes: ONU, Globo News, Jornalista Inclusivo.

Torne-se você também um agente de transformação da educação inclusiva.

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